Le tagarelar são um dos mais antigos doces tradicionais italianos. A sua história remonta ao período’Roma Antiga, muito antes de Nápoles se tornar um dos principais centros de confeção europeus.
Na época romana, durante o Saturnais - festas populares dedicadas ao deus Saturno - doces fritos chamados frictilia: tiras de massa de farinha e ovo, fritas em banha de porco e distribuídas ao povo. Estes doces são considerados os antepassados diretos dos modernos tagarelar.
Da Idade Média ao Reino de Nápoles
Com a queda do Império Romano, a tradição dos doces fritos não desapareceu. Pelo contrário, atravessou a Idade Média adaptando-se às disponibilidades locais e aos calendários religiosos. Em Reino de Nápoles, a preparação de tagarelar tornou-se indissociável da Carnaval, período que antecede a Quaresma, durante o qual era permitida a ingestão de alimentos ricos e calóricos, antes das restrições religiosas. Nápoles, cidade da corte e do povo, transformou este simples bolo num símbolo coletivo: fácil de preparar, barato e adequado para partilhar.
Porque é que se chamam tagarelar?
O nome tagarelar é originário de Nápoles e da Campânia. Segundo a tradição popular, o termo recorda o clima de festa, leveza e conversa típico do Carnaval:
come tagarelar enquanto se faz... conversa fiada. É um nome evocativo e irónico, perfeitamente em sintonia com o espírito napolitano, que gosta de atribuir à comida significados sociais e simbólicos, para além de gastronómicos.
Um bolo, mil nomes (mas uma alma)
Em Itália, o mesmo bolo tem nomes diferentes consoante a região:
- tagarelar - Campânia
- frappe - Lácio
- mentiras - Piemonte e Ligúria
- crostoli o galani - Veneto
- alfaces - Lombardia
Apesar dos diferentes nomes, a receita de base mantém-se surpreendentemente semelhante, sinal de uma tradição comum a toda a península.
Le tagarelar na tradição napolitana
Em Nápoles, o tagarelar não são apenas uma sobremesa, mas um rito sazonal. Aparecem nas pastelarias entre janeiro e fevereiro e marcam oficialmente o início do Carnaval. São frequentemente acompanhados de morcela,um creme de chocolate com especiarias que antigamente continha sangue de porco, atualmente substituído por cacau e especiarias por razões de saúde. O ato de mergulhar um conversar em morcela é um dos símbolos gastronómicos mais reconhecidos do Carnaval napolitano.
Curiosidade sobre tagarelar
- Trata-se de um dos mais antigos doces italianos ainda presentes no mercado
- Nasceu como um doce “do povo”, não aristocrático
- Devem ser muito finos: uma espessura excessiva é considerada um erro
- Tradicionalmente são fritos, mas existem versões assadas
- Todas as famílias napolitanas têm a sua “receita secreta”.”
Porque o tagarelar resistir ao teste do tempo
A força de tagarelar reside na sua simplicidade: poucos ingredientes, uma técnica precisa e um profundo significado cultural. Não seguem modas nem épocas comerciais prolongadas. Chegam, duram o Carnaval e depois desaparecem. E é precisamente isto à espera que as torna especiais todos os anos. Em Nápoles, comer tagarelar não é apenas um prazer gastronómico: é uma forma de se reconectar com a história, a tradição e a identidade da cidade.



